Candidato Preto, de Curitiba, pede para
eleitor não votar em branco
"Não vote em branco." A frase aparece no
horário eleitoral da TV de Preto, candidato do PSC a vereador
em Curitiba. Walter Godinho da Rocha, 46, diz que o apelido o
acompanha desde a infância e que a frase é só um trocadilho.
Preto tem uma pequena empresa de publicidade
em Curitiba e afirma que já usou a frase nas duas campanhas
eleitorais anteriores que disputou.
De pele morena clara, o candidato afirma que
a frase não esconde nenhuma manifestação de preconceito. A
idéia, segundo ele, é aproveitar o trocadilho para fazer
campanha para ele e contra o voto em branco.
"A nossa idéia não é despertar o
preconceito, mas fazer com que as pessoas escolham um
candidato que resolva o problema do bairro e não jogar o voto
fora", disse o candidato, que não tem ligação com o movimento
negro.
Na elaboração da frase, Preto disse ter
observado a grafia correta para não levantar suspeitas. "Tive
a preocupação em usar na frase o português correto: pedi para
não votar 'em' branco, e não 'no' branco. Se fosse assim, aí
poderia ser preconceito, que eu nunca tive contra ninguém."
Para Saul Dorval, presidente da ONG Ibaf
(Instituto Brasil África), o recurso publicitário do candidato
"é complicado". "Como ele não tem tempo de discutir o mérito
de sua mensagem no horário eleitoral, é complicado, pode ficar
subentendido. Há outras maneiras melhores de fazer campanha
para não desperdiçar o voto."
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