Em primeiro ato de campanha com Biden,
Obama relembra Abraham Lincoln
O primeiro candidato negro à Casa Branca, o
democrata Barack Obama, e seu recém-nomeado candidato à
vice-presidência, Joe Biden, iniciam neste sábado sua corrida
presidencial conjunta em Springfield, no Estado de Illinois, à
sombra de Abraham Lincoln (1861-1865), o presidente que aboliu
a escravidão nos Estados Unidos.
O lugar escolhido para o lançamento da chapa
é o mesmo onde, em uma fria manhã de fevereiro de 2007, o
jovem senador por Illinois anunciou sua candidatura à
Presidência: um palanque em frente ao edifício do velho
Capitólio estadual da terra adotiva de Lincoln.
Foi nesse mesmo local que, em 1858, Lincoln
lançou sua campanha para o Senado, durante a qual deixou para
a história um dos discursos mais famosos de um político, no
qual exortou que a nação, "uma casa dividida" pela escravidão,
se fortalecesse na união. Ali também foi velado o corpo do
presidente, assassinado em 1865.
O vínculo que Obama cultivou com a figura de
um dos maiores líderes da história americana inclui aspectos
da história pessoal de ambos que os aproximam: os dois foram,
em seu tempo, adventícios na política de Illinois e dentro dos
partidos pelos quais foram candidatos.
Lincoln, filho de um casal humilde e de
pouca educação de Kentucky, foi o primeiro presidente nascido
fora das 13 colônias das quais surgiram os EUA. Obama, filho
de um queniano e de uma mulher branca do Kansas, nasceu no
Havaí e passou parte da infância na Indonésia.
Os dois, homens altos e magros, fizeram
carreira como advogados em Illinois, e um dos aspectos mais
notáveis de sua imagem pública é a oratória inspiradora.
Lincoln procedia do Partido Whig quando foi
escolhido para ser o candidato do novo Partido Republicano à
Presidência dos EUA. Obama obteve a candidatura democrata sem
estar pessoalmente empenhado na tradicional militância pelos
direitos civis dos negros no país.
Guerra
Em 1847, recém-chegado à Câmara de
Representantes, Lincoln foi contra a guerra dos EUA contra o
México. Em outubro de 2002, quando o Congresso dos EUA
discutia a resolução que autorizou o presidente George W. Bush
a invadir o Iraque, Obama, que na época era senador em
Illinois, levantou sua voz.
"Eu me oponho é à tentativa de desviarem o
foco do aumento do número de pessoas sem seguro de saúde, do
aumento da pobreza, da queda da renda real", afirmou Obama no
Senado de Springfield, a capital de Illinois. "A isso me
oponho. A uma guerra estúpida. A uma guerra que não se
sustenta na razão, mas na paixão, não nos princípios, mas na
politicagem", argumentou.
Quando os EUA, divididos, completaram três
anos de guerra interna pela manutenção ou abolição da
escravidão, em 1864, Lincoln decretou a libertação de todos os
escravos que chegassem ao território da União. No entanto,
Lincoln sabia que, para que essa política fosse permanente,
seria necessária uma emenda constitucional.
Poucos dias depois do começo do segundo
mandato de Lincoln, em janeiro de 1865, o Congresso apresentou
aos legislativos de vários estados uma proposta para a 13ª
emenda da Constituição dos EUA, segundo a qual "nem a
escravidão nem a servidão involuntária (...) existirão nos
Estados Unidos ou em qualquer território sob sua jurisdição".
Lincoln foi assassinado em abril, e a emenda
se tornou parte da Carta Magna em dezembro, depois de ter sido
ratificada por 27 dos estados da União.
E se Lincoln entrou para a história como "o
grande emancipador", Obama aspira se tornar o "grande
conciliador" que guiará os EUA a uma era na qual superarão o
racismo.
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